sábado, 2 de novembro de 2024
SÓ PASSEI PRA DEIXAR SAUDADES
SÓ PASSEI PRA DEIXAR SAUDADES
Quem sou eu?
Vindo de uma família de classe média trazendo nas costas a descendência holandesa, passei minha infância e pré adolescência encarnado em uma Fazenda por nome de caxangá, na cidade de porto calvo, onde meus pais eram os proprietários.
Eu surgi de uma familia composta por meu pai Artur Elias e Maria Adélia , desse cruzamento surgiram quatro filhos que entre eles só um homem .
Minhas irmãs eram Creuza, Severina e Albertina que era a caçula, inclusive Albertina foi chamada para o céu ainda muito jovem.
Então tocamos nossas vidas com um certo luxo para os valores da época.
Partimos para outro destinos e largamos tudo após alguns desentendimentos familiares que nos levaram a abandonar tudo e tentar a vida em São Miguel dos Milagres.
Já em São Miguel dos Milagres, mais precisamente em porto da rua ficamos nossa bandeira.
Daí começou uma grande história de superação e recomeço. Já em seguida perdemos nossa matriarca com tuberculose e ficamos apenas em quatro lutadores pelo recomeço.
Sem habilidade, me joguei a tentar uma nova profissão totalmente nova pra mim que não tinha a menor afinidade, mas a precisão falava mais alto, então tive que me aventurar em alto mar para tentar trazer alimentos para dentro de casa.
O tempo foi passando e minha irmã Creuza acabou se casando e em seguida também casou severina. Eu fui levando minha vida da forma que Deus queria, tomava minha cachacinha de vez em quando, fumava quando tinha dinheiro para comprar a seda e quando não tinha fumava com papel bruto ou ate mesmo enrolando com folha de bananeira, mas não deixava de fumar.
Já rapazinho, comecei um namoro com a filha de senhor Caciano Verçosa, um homen brabo que tinha muita terra e aí era minha chance, passei um tempo e acabei me casando com Maria José (zeza) e aí foi apenas o começo de uma vida de dificuldades e vitórias.
Desse casamento surgiram seis filhos, Artur, Alcides, Agnaldo, Ângelo, Ana e Fenelon junior.
Ainda sem emprego e agora tentando a vida e criar meus filhos, fui pescar de favor no barco do marido da minha irmã Severino o senhor José Tatá que era um homem de temperamento forte e muito ignorante.
Depois de apanhar muito da vida, consegui um bico de locutor na prefeitura da recém surgida prefeitura de São Miguel dos Milagres onde também ocupei os cargos de porteiro, manipulador de iluminação, serviçal,etc.
Em seguida, recebi um grande presente de Deus que no momento mandou um anjo com nome de Jucedir Alves, na época prefeita de São Miguel dos Milagres e aí minha vida estava começando a ter uma guinada.
Jucedir com sua influência com o governador conseguiu alguns empregos para a brioza e ceal que na época ninguém queria pelo baixos salários, então ela pediu para que eu fosse fazer a prova e como tinha pouco estudo não consegui aprovação e tive que voltar aos trabalhos na prefeitura, mas jucedir foi diretamente falar e exigir que me colocasse na vaga de leiturista pelo governador.
Aí como Deus tinha escolhido dentre os sofridos tinha chegado minha vez de tentar retribuir e crescer na vida.
Entrei na ceal em 1975 depois de muita influência da prefeita jucedir Braga. Passaram alguns anos e me mudei para São Miguel dos Milagres saindo de porto da rua onde comprei minha primeira casa, estávamos começando uma nova vida. Ainda com pouco recurso fomos levando a vida batendo de frente com as dificuldades.
Na nova profissão, fui mudando de cargo e o salário foi melhorando aos poucos até ter dinheiro para segurar toda família tanto da minha parte como dá parte da minha esposa.
Dificuldades surgiram e eu fui passando por cima com muita fé em Deus e sempre superando.
Formei os filhos que queriam se formar e alguns tomaram seus destinos e em profissões diferentes, mas seguiram suas vidas.
Então depois de 35 anos de dedicação a minha profissão, fui obrigado a me aposentar contra o meu gosto em 1994.
Daí fui levando meus dias do jeito que dava pra levar, um dia pescava o outro fazia um bico e assim foi o pós-aposentadoria.
Passei a vida inteira entre tristeza e vitórias com a mesma alegria que sempre tive, fui levando a vida da melhor forma possível, fiz muita amizade por onde passei e nunca tive desavença com ninguém. Passei pela vida quase que sem ter problemas de saúde, mas ao chegar logo após aos 70 anos de idade me apresentou uma pneumonia e dela também surgir um problema cardíaco.
Comecei o tratamento e foi evoluindo de forma positiva, me surgiram alguns problemas com câncer de pele, coisa besta quer tirei de letra e fui passando.
Em 2022 veio o primeiro tapa da vida, minha apresentou o câncer de mama que deixou toda família abalada.
No entanto, meus problemas cardíacos foram aumentando e passei mais tempo me dedicando ao tratamento. Fui internado para tratar uma forte pneumonia e tive um êxito, em seguida fui internado mais uma vez agora por problemas cardíacos e também tive êxito.
Passei um bom tempo sem visitar o hospital e continuei minha vida normalmente.
Quando vem o ano de 2024 me parece que se abriu o ano da desorde na vida. Minha esposa teve um problema grave no ciático e aí foi a gota D'água na minha vida. Olhava minha mulher passar praticamente 24 horas deitada na cama com dores sem poder se levantar e eu não podendo fazer nada para ajudá-la e isso me partia por dentro e foi ai que veio me levar a não tomar mais minha medicação para o tratamento do meu problema no coração, também resolvi parar de comer já que a fome estava indo embora com minhas forças.
Então no dia 04 de outubro de 2024, me internei para nunca mais voltar para casa com vida.
Foram 9 dias de sofrimentos e angústia e as 23:31 minutos do dia 23 de outubro de 2024, Deus resolveu me chamar e acabar com meu sofrimento.
Eu me chamo Fenelon Elias de Souza, fui pai , amigo, companheiro, irmão que nunca tive vida fácil, mas nunca deixei a tristeza tomar conta de mim.
Descanso nos braços do pai que com certeza busquei aqui na terra por esse objetivo.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
UM AVISO ANIMAL
UM AVISO ANIMAL
Tudo começou por volta das 6:45 da manhã do dia 7 de setembro de
2024, iniciamos nosso plantão na base descentralizada de São Miguel dos
Milagres, interior do estado de Alagoas. Bem! Começamos nosso plantão com um
check list na VTR para saber as condições deixada pelo companheiro do plantão
passado que na oportunidade tinha sido o técnico socorrista Evandson Espíndola.
Pois bem, chegando na VTR encontro a mesma em boas condições de trabalho que nos
reservava boas surpresas ao longo do dia. NA oportunidade eu estava tirando
plantão com o condutor Alisson Mendonça que formava a equipe de 24 horas
corridos. O dia se início com o pé esquerdo, pois a bagunça de som começou junto
com nosso plantão. Era um barulho ensurdecedor que não desejo pra ninguém, mas
depois de 12 horas de barulho fomos para a Primeira ocorrência do dia que nos
livrou um pouco daquele sofrimento que estava passando dos limites. Conduzimos
um jovem que estava com complicações após ter uma sequência de vômito, deixamos
o mesmo na UBS Divaldo Suruagy em São Miguel dos Milagres para receber os
cuidados devidos e em seguida voltamos para base de apoio para tentar descansar
um pouco. Por volta das 03:30 do sai dia 08 de setembro de 2024, recebemos uma
ligação de nossa central reguladora com uma segunda ocorrência, fomos deslocados
para atender uma queda de moto no município de passo do Camaragibe e chegando lá
nos deparamos com um jovem que estava com uma lesão frontal no lado direito do
rosto que necessitava de maior atenção. O jovem estava agitado pelo fato de ter
ingerido bebida alcoólica e ter feito uso de entorpecentes, após avaliação
preliminar comuniquei o fato a central reguladora para nos guiar o destino que
foi o HRN. Ao passar quase 3 horas no HRN fomos lavar os materiais usados na
ocorrência que ficaram bem sujo devido a lesão do jovem. Chegando na área
destinada a esse serviço meu companheiro Alisson notou algo estranho ao lado da
VTR, era uma cachorra preta tinha aparência que estava com poucos dias de parida
com um filhote de gato aparentemente machucado em sua boca. A mesma deixou o
filhote de gato que estava machucado aos 3 metros de distância da nossa VIR e
começou a nos chamar atenção. Começou a se aproximar da porta que eu estava e
como se quisesse pedir algo começou a olhar para nós e olhar para o gato
machucado. Então, o meu companheiro me chamou a atenção e disse, estrelado, essa
cachorra quer que a gente vá atender esse gato que ela trouxe na boca, ai falei
pra ele, Primata, mas é um gato e ele me parece já está morto. Então ela
continuou a olhar para o gato e olhar para VTR e balançar o rabo como quisesse
falar algo, isao durou uns dez minutos nesse ato de pedir ajuda para o filhote
de gato que ela tinha trazido para próximo de nós. Tomei a liberdade de falar
com a cachorra e perguntar se ela queria que eu fosse olhar o gato que estava lá
no chão. Fiz essa pergunta três ou quatro vezes e ela como se tivesse entendendo
apenas balançava o rabo e olhava para o gato e para mim bem rápido como sinônimo
de alegria. Desci da VTR, calcei a luva M e fui em direção do gatinho para
avaliar, quando cheguei próximo ela encosta e coloca o animal mais próximo da
viatura. Perguntei pra ela, Se ela queria que levassem ele na VTR e ela como se
tivesse entendendo fez um som de rosnar para mim. Fui segunda vez tentar ajudar
e ela rosnou e agarrou o gatinho que aparentemente estava morto na boca. Foi
então que falei, Primata, ela não quer que ninguém pegue no gato, mas quer
ajuda. Decidimos continuar a lavagem dos materiais e em seguida entramos para
partir entregar o plantão para a próxima equipe e quando estávamos saindo a
cachorra nos olhou com um olhar triste e ficou ao lado do gato morto que ela
tentou ajudar como se fosse filho dela. Isso nós levamos para base como uma
lição de vida viemos tentando entender como os animais que Nós julgamos sem
pensar que não tem entendimento veio até nós que estavamos em uma viatura por
sabia que lá ela conseguir a ajuda para outro animal que não fazia parte da sua
cadeia, mas estava precisando de ajuda naquele momento. Uma lição de vida
deixada para eu e meu parceiro Alisson.
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