Saudade perdida
Outro dia fomos para uma campanha de vacinação nas
fazendas e fui escalado para cobrir três: Boa sorte, Alecrim e Engenho Fazenda.
E um fato muito interessante nos aconteceu. Foi na
divisa entre boa sorte e boa vista que encontramos um senhor contador de
histórias que lá estava morando a mais ou menos uns 40 anos. Já era o final de
nossa missão e ele nos convidou para degustar uma jaca. Assim foi feito,
sentamos em um banquinho de madeira enfrente a casinha de palha pequena, sem
luz elétrica, sem água e ainda possuía um fogão a lenha bem maltratado pelo
tempo.
E o senhor partiu a jaca e começamos a degustar a
mesma. Ele sentou do nosso lado querendo contar alguma coisa. Conversa vai,
conversar vem e ele se soltou, abriu a boca com suas histórias e que histórias.
E assim iniciou suas histórias, algumas verídicas
outras nem tanto. Ele começou contando a história de um cavalo alado que surgia
diante dele com alguém em cima, mas ele
nunca conseguiu desvendar quem na verdade estava no lombo daquele alazão.
Depois surgiram várias histórias bem interessantes
contadas pelo senhor e uma bem especial me chamou atenção. Segundo ele, um
filho morreu tinha uns nove anos de idade e ali mesmo tinha sido enterrado e
nós observando o que o senhor tinha para nos acrescentar, ficamos parados e
atentos e o senhor continuo a contar sua história que estava ficando
interessante.
Foi quando ele parou um pouco enchendo os olhos de
lágrimas e continuou dizendo, meus filhos esse menino todos os dias vem me
visitar, ele sai desse canavial sempre correndo como sempre fazia chegando até
aqui na porta olha pra mim e volta pro canavial onde ele foi enterrado e isso já tem uns trinta anos.
Aí o cabelo arrepiou meu irmão, olhamos um para o outro e o senhor continuava
com os olhos marejados contando a sua história que estava guardado a muitos
anos. Foi então que alguém falou que
tínhamos de ir embora, mas o senhor pediu para demorar só mais um pouco e ofereceu
mais uma jaca. Ficamos, e o senhor veio com mais uma história de sua vida.
Surgiu mais uma de partir o coração. falou que já
tinha um bom tempo que sua mulher tinha falecido e ele não conversava com
ninguém. Continuo contando e disse, meus filhos vocês não sabem o quanto foi
bom essa visita de vocês eu tenho cinco filhos que moram em matriz de
Camaragibe e eles nunca mais desde o dia que minha esposa morreu vieram me
visitar e eu não tenho ninguém para desabafar meus sentimentos, vivo aqui
sofrendo, já fui muito bem de vida e hoje vivo aqui por opção minha, pois perdi
o amor em viver depois que meu filho e minha mulher foram morar com Deus e
nunca mais voltaram.
ÂNGELO
CASSIANO
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