terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Eu sou São Miguel dos Milagres
Chamada antes de Freguesia  Nossa Senhora Mãe do Povo. Mudou sua denominação, segundo a tradição, depois que um pescador encontrou na praia uma peça de madeira coberta de lodo e algas marinhas. Ao levá-la para casa e fazer sua limpeza, descobriu que se tratava de uma imagem de São Miguel Arcanjo, provavelmente caída de alguma embarcação, já que sua área era muito navegada pelas embarcações vinda de toda parte do mundo. Ao terminar o trabalho de limpeza, o pescador descobriu espantado, que uma ferida persistente que o afligia há tempos estava totalmente cicatrizada.

A notícia logo se espalhou, fazendo com que aparecessem pessoas em busca de cura para suas doenças e de novos milagres. Sua colonização tomou corpo durante o período da invasão holandesa, quando moradores da sofrida Porto Calvo fugiram para a mata redonda em busca de um lugar seguro para abrigar suas famílias e de onde pudessem avistar com antecipação a chegada dos inimigos batavos. A capela inicial, que deu origem à freguesia estabelecida pela Igreja Católica, foi dedicada a Nossa Senhora Mãe do Povo.

Sua história está ligada, pela proximidade, à de Porto de Pedras e à de Porto Calvo, antigo Santo Antônio dos Quatro Rios ou, ainda, Bom Sucesso. Disputa com Porto de Pedras a primazia de ser a sede do Engenho Mata Redonda, onde ocorreu a célebre batalha do mesmo nome travada, entre o exército holandês e as forças luso-espanholas, a batalha ocorrida no hoje conhecido alto do cruzeiro e vencida pelas tropas do General Artikchof e aliados de calabar. É compreensível a querela, uma vez que os atuais municípios não estavam formados e os limites eram imprecisos. Por muito tempo, o Engenho Democrata e a fazenda manjerona foram destaques na produção de açúcar na região. Igualmente, o povoado foi líder na produção de cocos, quando ainda pertencia a Porto de Pedras e continuou por muito tempo com essa soberania.

Foi elevado à vila em 09 de junho de 1864 e, a partir de 1941, um grupo de moradores, entre eles Augusto de Barros Falcão, José Braga, Aderbal da Costa Raposo e João Moraes vinham reivindicando sua emancipação do município de Porto de Pedras. A emancipação política começou no dia 6 de junho de 1960. E pela Lei 2.239, de 07 de junho de 1960, São Miguel dos Milagres emancipa-se, separando-se de Porto de Pedras.
Ângelo Cassiano

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